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    November 10

    "Sertaneja"...em minha infância

     

    Lembranças de minha infância.

    Na minha familia, as mulheres costumavam cantar durante os afazeres doméstico.

    Um lar.Casa grande,aonde meu vô lindo com olhos azuis mansos... meus tios caladões, recebiam amigos para o jogo de gamão... pessoas que vinham do interior , para tratamento de saúde na cidade; eram acolhidos, sem muitoperguntas e alegravam a rotina de forma apressada.

    Morava nesta época meu vô, numa cidade calma do Nordeste.

    Flores simples envazadas, frutos maduros ou semi maduros ao alcançe da mão, balanço em galho forte de uma  mangeira, banho dentro de tonel d'agua ,que gelada pelo brilho ímpar da noite, nos aguardava logo cedo junto ás brincadeiras.

    Primos, sonhos...  mil artes como falava  minha vó... comer goiaba do quintal vizinho onde puxavamos com cabos de vassoura para alcançar os galhos... cheiro de doce de mamão verde...compotas de tomate feitas pela Madalena,goiabas, maracujás, uh!! mangada inesquecivel... em suco que deixada o visgo bom nos lábios... pitomba  madura ah!!!

    Vê a brincadeira dos ventos nas roupas secas que dançavam no varal alto, lá no quintal de grama.

    ... olhar o céu azul, onde  nuvens,parecias bolas polpudas de algodão... imaginar escadas mil , que  amarradas, com  cordas de navios,seria possivel o alcance... a descobrir  um sabor de sonho.

    O correr espaço da casa, para falar com o sr José Oliveira, conhecido vendedor  de algodão doce...

    O dormir rápido no sábado, afinal, domingo não poderia faltar... passeios na  lagoa distante ... ou a praia no horario bem cedo.

    A missa  antes de tudo,  o café  mais repleto e a exigência,com todoa a volta

    O pisar com carinho a terra macia, seca ou molhada ,pela chuvas, após tantos dias calçada com botas ortopedica (pois tive pé chato)... delicioso desafio.. 

    Sentir o cheiro destas lembranças ,bah! algo divino.

    Sempre que eu saia de férias para casa, ao  final de cada ano, certamente o mais desejoso passeio  era a casa do meu  amado vô.

    Lindo meu vô... ficava admirada,deslumbrada, encantada ...tudo ao meu sentir,pautava   magia...

    Encanto.

    Encontros...

    Reencontro de tudo , de todos

    Na intenção de sair da rotina,da cidade, hoje abri baú de lembranças, fotos, sorrisos imagens de uma tia muito querida , que me encantava com aquele  olhar ausente que gostava de cantar..."Sertaneja"

    Um alo de sono bom... reassegurador me envolvia, fazia dormir... sonhar.

    Recitava de tudo, gostava de trocar receitas de bolinhos , tricotar nas tardes quentes de verão e me ensinar pontos num tear manual.

    Sofejava canções longas e quando a letra havia se perdido muitos improvisos ...alegria era a sobra disto tudo.

    Lanche recheado de risadas,pratinhos, talhetes nas mãos, afinal chegava como num passe de mágica, bolos de laranja com cobertura de açúcar de confeiteiro... varanda carregadinha de flores roxinhas, miúdinhas que chamavamos de boninas.

    O velho e sombreiro pé de acácias amarelas como cacho longos em que eu fazia de arco para os cabelos que já soltos deixava ao sabor dos dedos leves dos ventos.

    Saudades!!! vou chamar tudo simplesmente... saudades!

    Um álbum antigo foi  revisto na tarde calorenta  deste Novembro iniciado.

    ...fotos em preto e branco, uma encantadora  letra da canção que guardei com infinda ternura..

     

    "Sertaneja"

     

    Sertaneja se eu pudesse
    Se papai do céu me desse
    O espaço pra voar
    Eu corria a natureza
    E acabava com a tristeza
    Só pra não te ver chorar
    Na ilusão desse poema
    Eu roubava um diadema
    Lá do céu pra te ofertar
    E onde a fonte murmureja
    Eu erguia tua igreja
    Dentro dela teu altar
    Sertaneja
    Porque choras quando eu canto?
    Sertaneja
    Se esse canto é todo teu
    Sertaneja
    Pra secar os teus olhinhos
    Vai ouvir os passarinhos
    Que cantam mais do que eu
    A tristeza do meu pranto
    É mais triste quando eu canto
    A canção que eu te escrevi
    E os teus olhos neste instante
    Brilham mais que a mais brilhante
    Das estrelas que eu já vi
    Sertaneja, vou-me embora
    A saudade vem agora
    Alegria vem depois
    Vou subir por essas serras
    Construir lá em outras terras
    Um ranchinho pra nós dois

     

    * uma poesia em canção de René Bittencourt (1917-1979)

    Foi o primeiro sucesso do compositor, tendo sido gravada por Orlando Silva na R. C. A. Victor, em 1939.

     

    Neste final de semana  juntei, minha mãe , minha filha, meu filho genro,lanchinho coberto por fala simples.encantamento,histórias de poesias,música(s) que nos delineou ... delineiam  nossas vidas.

    Um presente lembrar tudo isto...

     

    Namastê

    Suzy

    10/11/09

     

     

    Comments (1)

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    Honorio Netowrote:
    Posso saber o nome desta cidade calma do nordeste onde vivia seu avô ? me lembro da minha irmã cantarolando sertaneja ... "tropeçando" em alguns trechos ....nã , nã até o altar ... rsss - são memórias do coração !
    Nov. 11

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